Pelé, conhecido mundialmente como a maior lenda do futebol, não se limitou aos campos, tornando-se uma figura emblemática na luta antirracista. Sua trajetória extraordinária, marcada por talento excepcional e obstáculos superados, é um exemplo do impacto transformador do esporte na sociedade.
Durante sua carreira brilhante, Pelé enfrentou episódios de discriminação racial, especialmente em competições internacionais e jogos no exterior. Na Copa do Mundo de 1970, no México, o lendário camisa 10 da Seleção Brasileira uniu-se a outros companheiros de equipe para protestar contra o racismo. Além dos gramados, ele se destacou como um defensor incansável da igualdade, abordando frequentemente questões como desigualdade econômica e preconceito racial.
Em 1995, atuando como Ministro Extraordinário dos Esportes, Pelé pronunciou um discurso contundente sobre racismo no Congresso Nacional, enfatizando a importância da representatividade negra no governo. Sua declaração, também compartilhada em entrevista com Jô Soares, rebateu críticas anteriores de neutralidade política, ressaltando a necessidade da representatividade para promover justiça social e igualdade.
O Rei do Futebol também foi alvo de ataques racistas, como revelado em uma entrevista sobre um incidente na Itália, onde destacou os desafios enfrentados pelos jogadores negros e seu compromisso em conscientizar a sociedade. Em um célebre discurso após marcar seu milésimo gol, em 1969, Pelé chamou a atenção para as crianças necessitadas e instituições de caridade, demonstrando sua preocupação social.
Segundo o comentarista esportivo Paulo Cesar Vasconcellos à BBC Brasil, Pelé desempenhou um papel fundamental na representatividade negra no país, conferindo visibilidade global à comunidade preta brasileira. Vasconcellos ressalta a complexidade do racismo no Brasil, que por vezes minimiza a identidade racial de figuras proeminentes, como Pelé.
Embora frequentemente comparado a Muhammad Ali, outro ícone negro de sua época, especialistas destacam as diferenças nos contextos sociopolíticos dos EUA e Brasil. Enquanto Ali enfrentava o racismo de forma mais direta, Pelé lidava com um racismo muitas vezes velado, exigindo abordagens distintas. A contribuição do Rei no combate à discriminação racial é inegável e seu legado como símbolo de resistência e representatividade permanece intacto.